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LEITORES, ESCRITORES E SEUS HÁBITOS PECULIARES

  • 27 de mar.
  • 3 min de leitura

Lançamento do poeta e prosador mexicano Fabio Morábito, O idioma materno

reúne ensaios sobre a criação literária, a experiência da leitura e o papel da linguagem


Leitura que muda a nossa relação com as palavras e com a língua, O idioma materno, de Fabio Morábito, é uma primorosa obra de ensaios que transforma pequenas experiências cotidianas em reflexões e anedotas sobre a linguagem e o universo literário.


Renomado poeta e prosador, Fabio Morábito nasceu em Alexandria, no Egito, em 1955, filho de pais italianos. Aos 3 anos mudou-se com sua família para a Itália e, aos 15, para o México, onde vive e fez carreira literária. Morábito é conhecido pela concisão e observação perspicaz. Tendo o espanhol como língua de escrita, sua obra transita entre o narrativo e o poético, transformando o ordinário em algo maravilhoso e filosófico.


Em O idioma materno o autor faz uma imersão na sua dupla herança linguística para mostrar, por exemplo, como a escolha de uma palavra ou a perda de um sotaque moldam quem somos. Além de remontar a memórias pessoais que estariam na origem de seu fazer literário, Fabio Morábito fala sobre os leitores, escritores e alguns de seus hábitos peculiares. Entre os costumes, estão o gesto de sublinhar em excesso, o ato de escrever e a busca pela palavra exata, a relação com sua língua de origem (o italiano) e a adoção de um novo idioma (o espanhol).“É aí, onde percebemos uma lacuna em nossa biblioteca, a falta de um livro específico, que se justifica empunharmos a pena para, da maneira mais decorosa possível, escrevê-lo nós mesmos. [...] Escrever para continuarmos lendo." Morábito também se pergunta: Por que Dostoiévski nunca escreveria “Robinson Crusoé”? O “Castelo de Kafka” é uma história de amor? Como é possível conhecer a obra de Vallejo sem ter lido um único poema?


O escritor e historiador Felipe Charbel, que assina o texto de orelha de O idioma materno, escreveu que “sobre o Morábito, foi realmente amor à primeira vista. Que livro! Há tempos não lia algo assim tão bom, foi uma das melhores leituras que fiz esse ano".



Ironia, ternura e humor

No livro, Fabio Morábito reúne breves ensaios que giram em torno de língua, leitura, memória e vida cotidiana. Com ironia, ternura e humor, o autor transforma episódios aparentemente banais – lembranças de infância, cenas familiares, descobertas de leitor – em reflexões sobre criação literária, a experiência da leitura e o papel da linguagem. “Não concebo a escrita como atividade ilustre, mas furtiva”, diz.


Ao mesmo tempo íntima e ensaística, irônica e bem-humorada, a escrita de Morábito desenha um mosaico de pequenas histórias que revelam a força da observação e da imaginação, mostrando como a vida se (re)inventa através das palavras.



Sobre o autor

Fabio Morábito é poeta, narrador e ensaísta. Nasceu em Alexandria, no Egito, em 1955, filho de pais italianos. Aos 3 anos mudou-se com sua família para a Itália e, aos 15, para o México, onde vive e fez carreira literária. Dono de uma obra que abrange diversos gêneros, Morábito é particularmente notável por seus contos e ensaios que refletem sobre a linguagem, a memória e o cotidiano. Além de sua produção autoral, é tradutor do italiano para o espanhol, tendo traduzido a poesia completa de Eugenio Montale e o Aminta, de Torquato Tasso. Foi agraciado com distinções como o Prêmio Nacional de Poesía Aguascalientes, o Prêmio Xavier Villaurrutia, o Prix Roger Caillois (França) e o White Raven (Alemanha).

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